Notas sobre mercado, Estado e bolsonarismo: quando o “sistêmico” é “antissistêmico” (e vice-versa)

Cena de Dark Horse. Imagem: Reprodução
Por Felipe Brito
Diante da revelação de que teria pedido ao CEO do Banco Master R$ 134 milhões para (supostamente) financiar a tal cinebiografia de Bolsonaro, o candidato bolsonarista à Presidência da República ofereceu, como um quinhão de “justificativa” à opinião pública, o argumento de que o recurso solicitado tinha “origem privada”. Entretanto, como se sabe, uma enxurrada de recursos públicos foi bombeada às engrenagens financeiro-especulativo-rentistas do Banco Master, na esteira de uma teia de relações de favorecimentos político-econômicos. Dentre uma miríade de exemplos, podemos verificar o quanto o BRB (Banco de Brasília) e o Rioprevidência (Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro) abasteceram essas engrenagens. A rigor, tanto o que foi aplicado quanto os prejuízos ainda estão sendo perscrutados. No caso do BRB, no momento das pesquisas para a redação deste texto, estima-se um montante de R$ 30,4 bilhões; no caso do Rioprevidência, algo na casa de R$ 3,7 bilhões.
Partindo desse filme bizarro, esbarra-se no imbróglio do Banco Master, de onde se extrai um fio da meada que permite percorrer o novelo que embola circuitos financeiros da Faria Lima, crime organizado, setores do establishment político (sobretudo o Centrão e a extrema direita), Poder Judiciário, aparatos policiais etc. Esse novelo de fios reveste uma miscelânea de fintechs, fundos de investimento, gestoras de fundos de investimento, bets, ativos mobiliários, sonegação fiscal, evasão de divisas, tráfico de drogas ilícitas, tráfico de armas e munições, adulteração de combustíveis, grilagem de terras, fraudes no mercado de carbono etc., atividades que funcionam no embaralhamento das fronteiras entre licitude e ilicitude, abastecidas pelo amálgama de fontes lícitas e ilícitas de liquidez, bem como pelo entrelaçamento de recursos privados e fundo público. Essa urdidura perfaz os nexos vigentes entre mercado e Estado, onde a extrema direita e o bolsonarismo desempenham papéis pró-cíclicos, em movimentos pendulares, nos quais o “antissistêmico” conflui para o “sistêmico”, e vice-versa.
Dois processos de privatização fornecem roteiros empíricos ilustrativos para se percorrer esses emaranhados: Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) e Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), duas empresas fundamentais para o funcionamento, respectivamente, da cidade e do estado com os maiores Produtos Internos Brutos da América Latina. Subjacente a ambos os processos, estabeleceu-se um “bololô” que envolveu, além dos governos municipal e estadual (ambos na órbita bolsonarista), tentáculos do conglomerado Master, empresas, fintechs, fundos de investimento etc. Nesse “bololô”, destacaram-se ingredientes como:
- Indícios de um inflacionamento artificial, em mais de 700%, das ações de uma empresa chamada Ambipar;
- formação de um fundo de investimento em ações (especialmente em ações da Ambipar), denominado Phoenix, trinta dias antes da compra da Emae, comandado por um operador financeiro suspeito de ser sócio oculto do Banco Master;
- obtenção de um empréstimo junto à XP Investimentos para a realização da compra da Emae, lastreado nas aludidas ações inflacionadas.
Privatizada, a Emae investiu pesado em Créditos de Depósitos Bancários (CDBs), na casa dos 160 milhões de reais, de uma instituição que compõe o cipoal do Banco Master. O pagamento dos juros do referido empréstimo foi suspenso. Com a execução da dívida, a XP abocanhou o controle acionário da Emae. Pouco depois, em 23 de julho de 2024, ocorreu a privatização da Sabesp. O grupo empresarial Equatorial Energia tornou-se o acionista de referência. O presidente do Conselho Administrativo da Equatorial era o mesmo do Conselho Administrativo da Ambipar e, meses depois, foi alçado à presidência da Sabesp. A Sabesp (privatizada) comprou o controle acionário da Emae (privatizada).1
Por meio desse “bololô” (e de outros), cabe notar o quanto as digitais da Faria Lima marcaram a montagem e o funcionamento do maquinário de multiplicação (compulsiva) de dinheiro em mais dinheiro do Banco Master. Sintomático e ilustrativo é o fato de que as maiores corretoras/plataformas de investimentos do país, renomadas e aclamadas, comercializassem os tais CDBs com o percentual discrepante de 140% do CDI, “lastreados”, “na cara dura”, no Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Estima-se que a XP tenha distribuído o equivalente a R$ 30 bilhões em CDBs; o BTG Pactual, R$ 6,7 bilhões; e o Nubank, R$ 2,9 bilhões. E é notável, também, o quanto o Banco Central, à época comandado por um farialimer bolsonarista, ativista da desregulamentação e da financeirização, deixou a coisa “rolar solta”, conferindo a ela ares de “normalidade” e “normatividade”. Aliás, pegou a “porta giratória” da presidência do Banco Central e foi para a vice-presidência do Conselho de Administração do Nubank.
Percorrendo a miscelânea de legalidades/ilegalidades e fontes lícitas/ilícitas de liquidez que atravessa a esfera econômica, tomando o conglomerado Banco Master como eixo ilustrativo, cabe registrar situações como a do Fundo de Investimento Hans 95 (investigado por ligações com o Primeiro Comando da Capital), que chegou a investir cerca de R$ 124 milhões, principalmente nos tais CDBs, mediante o que se chama de “estrutura em cascata”. Ou seja, o investimento não foi realizado, diretamente, pelo Hans 95, mas por outros fundos controlados por ele ou a ele conectados – em geral, fundos de tipo “fechado”, formados por quantidade delimitada e restrita de cotistas. Dificultar o rastreio do dinheiro e favorecer a ocultação de patrimônio são efeitos básicos desse tipo de operação financeira. A propósito, o Hans 95 compunha a carteira da Gestora de Fundos de Investimento Reag, também objeto de liquidação extrajudicial, que geria dois fundos de investimento (Jade e New Jade 2) que também se encontram sob investigação por possível ligação com o PCC. Esses dois fundos controlavam duas empresas do conglomerado do Banco Master investigadas por um esquema de inflacionamento patrimonial fraudulento. O esquema envolveu grilagem de terra pública da União na região da Floresta Amazônica, uma área do tamanho aproximado da cidade de São Paulo, e fraude contábil que converteu estoque de carbono em crédito de carbono, na ordem de R$ 45,5 bilhões.
Não constitui o propósito deste texto apresentar um inventário amiúde desses circuitos econômicos alavancados pelo embaralhamento de legalidades e ilegalidades; fontes lícitas e ilícitas de liquidez; recursos privados e fundo público; agentes econômicos, agentes públicos e grupos criminosos. Elenquei apenas alguns insumos empíricos, a título ilustrativo, partindo do imbróglio do conglomerado do Banco Master. Cabe sublinhar que o bolsonarismo serviu como um fator de exacerbação de tais circuitos, na medida em que também se revestiu de uma tecnologia de governança modulada em torno da espoliação/expropriação do fundo público, dos ativos públicos, de recursos naturais e socioculturais. Enquanto tal, em sintonia com o caráter prevalescente da “lumpenburguesia” brasileira, o bolsonarismo atualiza e exacerba os bloqueios e abdicações a projetos de desenvolvimento nacional (no que for possível, diante da fronteira tecnocientífica estratosférica), sobretudo se pautado na meta de distribuição direta de renda/riqueza e de ampliação da participação popular como ferramenta de governabilidade, agravando o atrelamento do país à especialização primário-exportadora de commodities e à hipertrofia rentista-financeiro-especulativa. Contudo, essa caracterização do bolsonarismo como fator de exacerbação é insuficiente. O bolsonarismo encontra-se incrustado nesse sistema de coordenadas em torno de dispositivos de espoliação/expropriação/despossessão que estruturam o capitalismo em vigência – ou, talvez, a redação mais adequada para essa última frase seja: que (des)estrutura o capitalismo em vigência2.
Enquanto tal, catalisa a deterioração econômica e a erosão política engendradas, de modo “sistêmico”, pela própria lógica imanente de um modo de produção acorrentado à finalidade (compulsiva) de acumulação monetária, atravessada, além do mais, por um contexto de crise econômica, que se manifesta em crise social e ecológica – fator estrutural que, remetido à década de 1970, se arrasta, desde então: o estouro da bolha imobiliária nos EUA, em 2008, constituiu episódio estrondoso, cujos efeitos ainda ressoam. A rigor, não apenas catalisa as resultantes destrutivas, mas também promove algum tipo de mimetização das “formas de ser” destrutivas e (auto)destrutivas, instaladas, de modo “sistêmico”, no aludido modo de produção, atravessado pelo contexto (estrutural) de crise social e ecológica. Em geral, a extrema direita não fornece horizontes de transcendência societária dos propulsores dos escombros sociais e ecológicos. O tal do caráter “antissistêmico” (com muitas aspas) atribuído ao bolsonarismo e à extrema direita, de alguma maneira, tem a ver com esse vetor – uma sobrecarga de destrutividade dirigida, de modo militante (mas também zombeteiro) ao “establishment” institucional dos regimes democráticos (que não são homogêneos) no escopo do capitalismo em vigência no primeiro quarto do século XXI.
Além de ataques diretos, desmanches, esvaziamentos e boicotes, tal sobrecarga também desfere conturbações, avacalhações, invectivas, desdém etc. A “balbúrdia golpista” do 8 de janeiro, por exemplo, veiculou esse “combo”, mediante a equidistância entre motivações políticas diretas e descargas performáticas, “estetizantes” e “pirotécnicas” de destrutividade (registradas em tempo real, por meio de selfies e postagens em redes sociais, que, inclusive, perfilaram material probatório à abertura de inquéritos e ao ajuizamento de ações penais). Metas políticas golpistas e metas destrutivas performáticas equipararam-se, misturaram-se ou, pelo menos, mantiveram-se próximas. Ademais, a própria tecnologia bolsonarista de governança pautou-se no referido “combo”. Impulsionada por um furor desregulamentador e por um ativismo infralegal, usou e abusou de instrumentos como Decretos Administrativos e Instruções Normativas. Como exemplo, cabe verificar o desmanche de marcos regulatórios e aparatos fiscalizadores na área ambiental e a alavancagem armamentista (aproveitados, aliás, com abundância, pelo banditismo extrativista/fundiário). Tais desmanche e alavancagem, associados aos garrotes orçamentários (de influência neoliberal), recrudesceram o avanço da grilagem, do garimpo, da mineração, do contrabando de madeiras, da disputa fundiária sobre áreas públicas de florestas, terras indígenas e de proteção ambiental. Uma verdadeira “guilhotina regulatória”, para usar um lema propugnado pelo diretor bolsonarista da Agência Nacional de Mineração (em um evento com a participação do Ministério de Minas e Energia). Com efeito, a tecnologia bolsonarista de governança também fabricou ferramentas “antissistêmicas”, tais quais a “ABIN paralela”, o gabinete negacionista da Saúde, o chamado “gabinete do ódio” (propagador das fakenews), canais paralelos ao Itamaraty de atuação na política externa etc. – ferramentas “antissistêmicas” de orientação “sistêmica”, na medida em que funcionaram em sentido pró-cíclico às megatendências (sistêmicas) de erosão política, ao desmantelamento econômico, à destruição ambiental, ao despedaçamento dos laços sociais. No mesmo compasso, espalhou um senso (seletivo) de desdém, avacalhação, esculhambação diante do “establishment” institucional, midiático e cultural, galvanizando chaves de afetação que alternavam (e ainda alternam) asco/ojeriza, ódio (destrutivo), ressentimentos, indiferença. “Establishment” escrito com aspas, mesmo, por se tratar de uma noção gelatinosa e confusa, que pode abarcar um arco de instituições e setores distintos, como STF, PT, universidades públicas, Rede Globo, IBAMA etc.
A aludida tecnologia de governança comportou, ainda, um viés não apenas “sistêmico”, mas, além disso, “hipersistêmico”, na medida em que favoreceu um empoderamento ímpar do chamado “Centrão”, cuja localização no espectro político remonta às coordenadas históricas da Arena (Aliança Renovadora Nacional) – um dos dois partidos do bipartidarismo instaurado pela ditadura empresarial-militar com o AI-2 (Ato Institucional nº 2), em 1966; partido formado pela fusão da UDN (União Democrática Nacional) com a maioria do antigo PSD (Partido Social Democrático) que, entre 1946-1964, se mantiveram diretamente atrelados aos interesses das classes dominantes. E essas coordenadas históricas possuem alcance mais profundo. Como bem ressalta o professor André Singer, “pessedismo e udenismo […], por sua vez, deitavam raízes na República Velha, quiçá no Império”3. Esse empoderamento ímpar do Centrão decorreu do intuito de contornar os 158 pedidos de impeachment, além dos corriqueiros crimes de responsabilidade, e seguiu as trilhas abertas pelo golpe de 2016 (um golpe que também abarcou uma dimensão parlamentar). Trata-se, com isso, do “puro suco” concentrado de um modus operandi político tradicional, de lógica política “sistêmica”. Mas, aqui, cabe uma ressalva. Conforme registrado, o impeachment fraudulento de 2016 desempenhou a função de um golpe de Estado, que comportou uma acentuada dimensão parlamentar. Pelo menos em determinado sentido e em alguma medida, pode-se considerá-lo um golpe contra o próprio regime político erguido na esteira da redemocratização pós-ditadura empresarial-militar de 1964-1985. O tal “orçamento secreto” e as “emendas Pix” constituíram-se como dois dispositivos de captura do orçamento público federal e, por conseguinte, de disputa e exercício político, que chacoalharam as relações entre os Poderes no âmbito do arranjo institucional da mencionada redemocratização. Chacoalhar marcos institucionais revelou-se como um dos desideratos da extrema direita, de modo que se torna condizente notar o quanto há de bolsonarismo no Centrão (e vice-versa) nesse emaranhado de “velha”/“nova” direita, de “pró-sistêmico” e “antissistêmico” que preenche o bolsonarismo.
Iniciamos o texto falando do financiamento do tal filme bizarro do bolsonarismo pelo conglomerado do Banco Master. Uma linha de investigação em curso apura se há algum nexo entre esse financiamento e os circuitos de lavagem de dinheiro do PCC. Sob outras investigações, encontra-se o repasse de milhões de reais oriundos de emendas de parlamentares da extrema direita a uma “constelação de CNPJs” à qual a empresa produtora do filme está vinculada. Investiga-se ainda um repasse antecipado pela prefeitura da cidade de São Paulo de mais de R$ 100 milhões a um desses CNPJs para a instalação de 5.000 pontos de Wi‑Fi (dos quais apenas cerca de 3.200 foram, efetivamente, instalados). Traçar rotas empíricas para se percorrer o emaranhado de legalidades e ilegalidades; fontes lícitas e ilícitas de liquidez; recursos privados e fundo público; agentes econômicos, agentes públicos e grupos criminosos contribui para o estabelecimento de caminhos didáticos para se analisar os nexos vigentes entre mercado e Estado, economia e política. Essas rotas conduzem aos circuitos pendulares do bolsonarismo, nos quais o “antissistêmico” conflui com o “sistêmico”, e vice-versa.
Notas
- A esse respeito, ver “Banco Master e as privatizações de Tarcísio”. Youtube, 19 de fevereiro de 2026. Disponível aqui. Acesso em: 29 de junho de 2026. Ver também Kobori, José. O Banco Master e as privatizações de Tarcísio de Freitas em São Paulo. Youtube, 3 de dezembro de 2025. Disponível aqui . Acesso em: 29 de junho de 2026. ↩︎
- Ver Harvey, David. O novo imperialismo. São Paulo: Loyola, 2004. ↩︎
- Singer, André. Bolsonarismo Shrek: como as urnas afetaram as coalizões que devem se enfrentar em 2026. Páginas 28-33. Piauí. Número 218. 19 de novembro de 2024. ↩︎
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Felipe Brito é docente do curso de Serviço Social da UFF (Universidade Federal Fluminense) no Campus de Rio das Ostras. Pela Boitempo, organizou, com Pedro Rocha de Oliveira, o livro Até o último homem: visões cariocas da administração armada da vida social (2013). Autor do artigo “Territórios Transversais” (em conjunto com Pedro Rocha de Oliveira), que integra o livro Cidades Rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil.
LEITURAS PARA SE APROFUNDAR NO ASSUNTO

Até o último homem: visões cariocas da administração armada da vida social, organizado por Felipe Brito e Pedro Rocha de Oliveira
Análise sobre a militarização das favelas cariocas, revelando as UPPs como ocupações armadas e revelando a complexidade da gestão do colapso social. A coletânea destaca a relação entre militarização e vida cotidiana, desmistificando a suposta eficácia das políticas de ocupação permanente.



Crias da favela, de Renata Souza
Partindo do contexto da instalação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) nas favelas do Rio de Janeiro para “salvaguardar” a segurança da cidade durante megaeventos esportivos (como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016), Renata Souza acompanha a experiência cotidiana na favela da Maré e demonstra como a política de “pacificação” desconhece a dinâmica comunitária da favela.
Desmilitarizar: segurança pública e direitos humanos, de Luiz Eduardo Soares
Segurança pública tem sido tema recorrente na agenda pública, mas sua transformação profunda nunca esteve em cogitação. A partir do entendimento dos problemas diagnosticados tanto na esfera pública quanto na privada, os ensaios aqui reunidos formam um conjunto coeso que demonstra que a problemática da violência letal, inclusive a praticada pelo Estado, é decisiva para a reconstrução democrática e o combate ao racismo, aos preconceitos e às desigualdades. Não ficam de fora análises sobre as contraditórias UPPs, a guerra às drogas, a intervenção militar no Rio de Janeiro, o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro e sobre relações entre o poder público e o crime organizado. E o livro conta ainda com um Glossário sobre segurança pública.
Bala perdida: a violência policial no Brasil e os desafios para sua superação
Coletânea que reúne vozes distintas, como psicanalistas, pesquisadores e ativistas, para abordar a complexa problemática da violência policial no Brasil. Desde análises críticas sobre a mídia até reflexões sobre desmilitarização e direitos humanos, oferece uma visão abrangente sobre um tema crucial.
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